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Blog de rboury
 


FAZ DE CONTA.

 

O Plano Color estava decretado.

 

Todos com 50 mil cruzados (ou cruzeiros, não lembro) no Banco. Preocupação total.

 

A Globo também.

 

Daniel Filho, Diretor Artístico, convoca uma reunião urgente, com todos os Redatores, Diretores e Produtores da Tv Globo.

 

No décimo primeiro andar do edifício da rua Lopes Quintas.

O Daniel foi logo falando:

 

“- A nossa situação é desesperadora. Não podemos fugir da realidade financeira do país. Mas vamos ter que continuar realizando os Programas com a qualidade da Globo. Mas infelizmente não podemos continuar a gastar. Temos que economizar. O estigma dos 50 mil também atingiu a Globo. Mas vamos seguir com os mesmos parâmetros.

Vamos ter que fazer de conta que os cenários simples,sejam cenários suntuosos. Bonitos. Ricos.

Vamos ter que fazer de conta que cenas com  100 figurantes, na realidade vamos ter uns 10 ou 15.

Vamos fazer de conta que as cenas com vários carros, sejam feitas com um ou dois apenas.

Vamos fazer de conta que os figurinos simples, sejam transformados em figurinos elegantes, finos.

Vamos fazer de conta que o elenco com 50 personagens, fique reduzido a 20 personagens.

Mas tudo sem perder a qualidade.Vamos manter o nosso padrão de qualidade.

Enfim, usem a imaginação. Usem tudo que sabem sobre televisão para fazer de conta que o mínimo, está sendo o máximo.

Usem a imaginação”.

 

Silencio na sala.

 

Ninguém tinha coragem de falar nada.

 

A realidade era aquela. Sem tirar nem por.

Foi então que o Diretor de Novelas Gonzaga Blota. Levantou o braço e pediu a palavra.

 

“- Daniel. Eu sei como fazer”.

“- Por favor Gonzaga, fale”.

“- É fácil.É só fazer de conta que você está comendo a Zezé Macedo, pensando que está comendo a Vera Fischer”.

“- Exatamente. Exatamente. Encerrada a reunião”.

 



Escrito por rboury às 18h25
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LEVER NO ESPAÇO

 

A Tv Tupy, nos anos 50, resolveu fazer parte da ficção científica.

Todas as noites, exatamente as 20 horas, algo acontecia no vídeo.

Começava com uma ligeira interferência na imagem e som.

Como fosse um defeito técnico.

A Imagem ficava um pouco borrada.

O som fazia um zumbido que incomodava.

E, todas as noites, no mesmo horário, esta interferência aumentava.

Começou a incomodar os telespectadores, que passavam a

telefonar perguntando o que estava acontecendo.

A resposta era sempre a mesma: *-Estamos tentando descobrir*

Mas, como sempre as interferências aumentavam, passou a ser

notícia nos jornais, rádios.

A Tv Tupy pertencia aos Diários Associados e os jornais da

empresa ajudavam bastante a difundir a *noticia*.

Várias reportagens com os técnicos e diretores da Tupy.

Nenhuma resposta positiva para o que estava acontecendo.

Um mistério. Ninguém conseguia explicar.

Com o tempo dava para ver um vulto bem parecido com um

*marciano*.

Não se falava em outra coisa:

*A Tv estava sofrendo uma *invasão de marcianos*.

Até que uma noite o mistério foi desfeito.

O vulto foi tomando uma forma mais visível.

Um autêntico marciano, bem parecido como nos filmes de

ficção científica, estava no vídeo.

E, em um português fluente foi anunciando a próxima série da

Tv Tupy, com um patrocínio da Gessy Lever: *Lever no Espaço*.

Tudo não passou de um marketing.

Talvez um dos primeiros na televisão brasileira.

Os telespectadores respiraram aliviados, e a partir daquela noite

passaram a prestigiar a série que iria ao ar todas as terças e

quintas, sempre as 20 horas.

Com *Lever no Espaço* a televisão brasileira, também entrava

na corrida espacial.

Abraços

Boury

 

 



Escrito por rboury às 15h04
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VENCIDA A SERRA DO MAR

 

Um dos maiores acontecimentos na televisão na década de 50, foi sem dúvida a transmissão de futebol, direto de Santos.

Na época a Tv Record dominava amplamente as transmissões esportivas, principalmente de futebol, pois tinha equipamentos mais sofisticados. Modernos.

O narrador era o Raul Tabajara e o repórter de campo o Silvio Luis. Um sucesso.

O Santos F.C. já começava a despontar como um dos grandes times do campeonato paulista, mesmo antes da era Pelé.

Uma transmissão de Santos, seria impossível de ser realizada. Não existia nem a Embratel e muito menos os satélites que hoje facilitam tudo.

A topografia entre Santos e São Paulo, não permitia, com os equipamentos disponíveis, realizar qualquer evento.

O futebol era televisado apenas na capital, e o campo de futebol mais longe era o do Corintians, no Parque São Jorge.

Mas os funcionários da equipe técnica da Tv Tupy estavam com o firme propósito fechar o link Santos x São Paulo.

Para que tudo desse certo, seria necessário testes de micro ondas entre as duas cidades.

Micro ondas é um equipamento que consiste em um transmissor e um receptor de imagens geradas nas externas.

Duas parabólicas, mais ou menos como são as que hoje recebem imagens dos satélites, que deveriam ficar exatamente na mesma direção, uma de frente para a outra, sem nenhum obstáculo, em uma distancia máxima de 35 kilometros.

Para cobrir a distancia entre Santos e São Paulo, seria necessário, no mínimo dois pares de micro ondas.

A Tv Tupy tinha apenas um par.

Foi então que um engenheiro em eletrônica, dando o famoso *jeitinho brasileiro*, resolveu  clonar, um par de micro ondas.

Com manual impresso da RCA, levantou todos os componentes, válvulas, enfim, tudo que tinha no equipamento e partiu para uma fiel cópia.

Paralelamente os técnicos, no maior sigilo, pois a Tv Record poderia descobrir e se antecipar, começavam a procurar o local ideal para colocar os equipamentos.

Para a Record, não seria problema, pois eles tinham até mais de dois micro ondas necessários.

Muito mais fácil seria propor uma parceria com a Record. Juntos, tudo seria mais fácil.

Mas os brios da equipe técnica falava mais alto.

Dividir, nunca.

Foram meses de muito trabalho na Serra do Mar, especificamente em Paranapiacaba, onde foi descoberto um local que dava *visual* tanto para o Prédio do Banco do Estado, onde ficava o transmissor, como para Vila Belmiro, local do jogo. Semanas a fio no meio do mato, carregando equipamento nos ombros, com ajuda de alguns *mateiros* para descobrir o local adequado. Depois de muito trabalho, finalmente, a empreitada foi finalizada com êxito.

Assim que o clone do micro ondas ficou pronto, e os testes tinham aprovados, só faltava o grande jogo, que seria Santos x Palmeiras.

Na semana que antecedeu o domingo, dia do jogo, os ajustes finais foram feitos com êxito.

A Serra do Mar foi vencida.

O evento foi realizado com sucesso.

Foi uma festa. O imposível tinha sido realizado.

Foi então que a diretoria da Tv Tupy resolveu investir em  equipamentos mais sofisticados, dando melhores condições de trabalho aos seus técnicos, e o micro ondas clonado foi devidamente aposentado.

A mídia deu a maior cobertura.

Claro que no próximo jogo em Santos, lá estava a Tv Record,  também realizando a transmissão de Santos x Corintians.

 

Abraços

Boury

 

 

Matéria dos jornais.

O Camera sou eu mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por rboury às 18h47
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OPERA NA TV TUPY CANAL 3

 

Houve uma época em que a Televisão transmitia diretamente do Teatro Municipal a temporada Internacional de Óperas.

As maiores companhias européias estiveram presentes, com  os artistas mais famosos.

Foram vários espetáculos.

E a Tv transmitia todos, ao vivo, e com patrocinador.

O apresentador era o Heitor de Andrade.

Mas, em uma ocasião, um dos empresários resolveu proibir a transmissão, pois segundo ele, prejudicava financeiramente os eventos.

No meio da transmissão ele invadiu a Unidade Movel, exigindo que a transmissão fosse suspensa.

Ele teria acertado com o Teatro Municipal que as transmissões estariam cortadas.

Como o vídeo tape ainda não existia, o jeito era mesmo *desligar os equipamentos*.

O empresário, para ter certeza que nada estava sendo transmitido, ficou dentro da Unidade Movel, fiscalizando tudo.

Mas não foi bem isso que aconteceu.

Entrou em ação o plano B.

O técnico de plantão, apenas tirou todo o brilho dos monitores de vídeo, ficando as telas escuras, como se estivessem desligados.

O monitor de áudio também foi minimisado.

O diretor de Tv, junto a mesa do swith, com fone nos ouvidos, seguia a orientação dos câmeras, e os cortes eram executados.

Pronto. A transmissão estava teoricamente cortada, mas tudo estava no ar. Sem nenhum problema para o telespectador e o patrocinador.

O *olheiro* não arredava pé.

Dentro da UM, silencio absoluto.

Apenas o ruído da mesa de corte, quando o Tito Bianchini selecionava as imagens. Mas *ele* não entendia nada do assunto.

Bem no finalzinho da ópera, alguém bateu na porta. Era um amigo do empresário, que de nada sabia, queria dar os parabéns pela maravilhosa transmissão que ele estava assistindo em uma televisão na vitrine do Mappin, que ficava bem em frente ao Teatro Municipal.

Mas a transmissão foi até o fim, pois até ele descobrir o que estava acontecendo levou algum tempo.

Abraços a todos

Boury 

 

 

 

 

 

 



Escrito por rboury às 13h15
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*ESPERA UM POUCO QUE EU JÁ VOLTO*.

 

 

O imprevisto estava sempre rondando as cenas.

Quando ator esquecia o texto, na hora da exibição, valia qualquer solução para que o espetáculo continuasse.

Não podia parar.

Não existia o *vamos voltar a cena* ou *vamos fazer a cena outra vez*.

O diretor de estúdio, que nada mais era do que o *ponto* teatral, sempre tentava apontar a fala esquecida.

Geralmente falava tão alto que o microfone captava, e o telespectador ficava sabendo o que o ator iria falar.

Muitas vezes o ator estava tão atrapalhado que não ouvia, não entendia o que lhe era *soprado*.

Então o desespero entrava em cena.

O ator andava de um lado para outro, sem nada dizer.

Os que estavam contracenando com ele, as vezes ajudavam, e a cena seguia.

Em outras ocasiões a *fala* seria muito importante para o prosseguimento da cena.

Não havia outra solução: O ator simplesmente, com a maior cara de pau,  falava para o outro: - *Espera um pouco que eu já volto*.

Saía de cena, pela porta do cenário, pegava o texto das mãos do assistente, lia, relia até ficar bem *atualizado* com o que deveria falar.

Enquanto isso, o ator ou atores que ficavam em cena, sem nada o que fazer, também andavam de um lado para outro. Acendiam um cigarro, abriam a janela para ver a paisagem.

A sonoplastia soltava uma linda música para a cena não ficar *vazia*.

Enfim. Valia tudo para o tempo passar.

Depois, devidamente a par do que iria falar, entrava em cena e simplesmente dizia:-*Como eu estava falando...* e o texto seguia normalmente, como se nada teria acontecido.

Eram os imprevistos do *ao vivo*

Abraços

Boury

 



Escrito por rboury às 12h25
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TURÍBIO RUIZ. O DOM QUIXOTE.

 

A Tv Tupy, na época canal 3, futuramente mudaria para o Cana 4, exibia duas vezes por semana, o seriado *Dom Quixote e Sancho Pança*.

O Dom Quixote era o Turíbio Ruiz.

As cenas eram longas. Muito texto para decorar.

Os ensaios eram realizados na parte da tarde.

Eram usados sempre dois ou três cenários.

Naquele dia um deles seria uma taberna, com várias mesas, cadeiras, balcão, bebidas.

A cena principal, onde o Dom Quixote estaria sentado, e falava muito. Tinha um texto muito longo. Difícil.

Depois do ensaio, o Turíbio Ruiz, pegou uma caneta  e escreveu, na mesa, todo o texto que à noite iria *falar*, ou melhor, *ler*.

Foi então decorar as outras cenas, pois com aquela não teria problemas. Era só ler o que estava escrito.

A Deborah Duarte e o Adriano Stuart, adolescentes, viram todo o trabalho do Turíbio, em escrever a *cola* na mesa.

Esperaram ele sair do estúdio e trocaram a mesa de lugar.

Na hora da exibição, a noite, quando o Turíbio entrou em cena foi direto para a sua marca, a  mesa onde supostamente estaria todo o texto.

Sentou, cumprimentou quem iria contracenar com ele, pediu uma bebida.

Foi então, que percebeu que na mesa não tinha nada escrito.

Mas não se apavorou. Levantou, e foi distribuindo tapas, sopapos, ponta pés,  tirando os figurantes que estavam nas outras mesas, procurando a que lhe interessava.

Finalmente achou e sentou.

Chamou o outro ator, que não estava entendendo nada, para sentar à mesa que estava com toda a *cola*.

A cena continuou como nada tivesse acontecido.

Lá no canto do estúdio a Deborah e o Adriano estava as gargalhadas.

Abraços

Boury

 



Escrito por rboury às 15h31
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O TIRO

 

Outra cena em que o improviso dos atores esteve presente, foi por ocasião de um Tele Teatro.

Aquele dia, tudo corria as mil maravilhas.

Nenhum imprevisto.

Até agora.

Pois a cena seria praticamente o encerramento da trama.

O *mocinho* iria matar o *bandido*.

Ele estava sentado na sua escrivaninha, trabalhando.

De repente a porta abre violentamente e o vilão entra, decidido. Era tudo ou nada. O encontro final.

O mocinho levanta, rápido, abre a gaveta para pegar o revolver e atirar para matar o bandido.

Mas, surpresa.

A gaveta estava vazia. O contra regra esqueceu de colocar a arma.

Sem perder tempo, ele espalma a mão direita, com o dedo indicador em riste, e como se fosse um revolver, atira, sincronizando os *tiros* com as palavras:

*- Bang, Bang*.

O vilão, recebe os *tiros* mortais e cai, fulminado.

Era o fim do espetáculo.

O *mocinho* matou o *bandido*.

Era o que precisava ser feito para que tudo terminasse bem.

E terminou.

Abraços

Boury

 

 

 

 

 

 



Escrito por rboury às 14h03
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A PERNA DO JAIME BARCELOS

 

Naquele domingo a Tv Tupy exibia uma super produção: *Crime e Castigo* de Dostoievski.

Todo o elenco da Emissora estava em cena. Os principais eram o Cassiano Gabus Mendes, Luis Gustavo, o Tatá, Dionísio de Oliveira, Flora Geny, Vida Alves, Wilma Bentivegna, Fernando Baleroni, David Neto, Márcia Real, Walter Stuart, Mariza Sanches, Jaime Barcelos, Lima Duarte, Lolita Rodrigues, Lia Aguiar, Yara Lins, Walter Forster, José Parisi, e muitos outros que no momento não recordo.

Cenários nos dois estúdios. Grandes. No estúdio B, uma praça com os exteriores. No estúdio A vários interiores.

Todos de época. Bem trabalhados.

Sal grosso espalhado no chão, para dar idéia de neve.

Os figurinos pesados.

O corredor que ligava os dois estúdios foi transformado em uma ruela, um beco onde tinha uma carroça com cavalo e tudo.

Cinco câmeras. Duas mesa de corte. Duas mesas de áudio. Microfones por todo lado. Todo o parque de iluminação.

Enfim. Realmente uma Super Produção.

Espetáculo para mais de três horas de duração.

E, ao vivo.

Tudo foi devidamente ensaiado na parte da tarde. Os principais momentos com vários ensaios. Nada daria errado.

Uma das cenas principais, seria quando o Jaime Barcelos, um dos protagonistas, ferido mortalmente, era colocado na carroça, que estava em um cenário do Estúdio A, atravessaria o corredor até a praça do Estúdio B.

Lá chegando seria transportado para um cenário, colocado em uma cama, e depois de um longo texto, iria morrer.

Este movimento foi exaustivamente ensaiado.

Vamos recordar juntos. Mais uma vez:

Era esfaqueado no Estúdio A.

Levado por dois atores até a carroça. O cocheiro alertava o cavalo.  A carroça faria o percurso entre os dois estúdios, de mais ou menos 20 metros. Chegando no Estúdio B, uma praça, era levado para o interior de outro cenário, onde faria a sua cena final.

Tudo certo. E, à noite na hora do ao vivo, o *imprevisto* aconteceu.

Ao ser colocado, deitado, na carroça, a sua perna esquerda ficou para fora.

A ruela era estreita. Dava para passar, mas o espaço era muito justo.

Quando começou o movimento, eu estava na câmera que acompanhava por trás da carroça, ouví um estalo seco, e um grito de dor do Jaime.

A perna ficou prensada entre a carroça e a parede. Com fratura exposta.

A cena seguiu. Ele foi levado para o cenário e com todas as dores que sentia, fez a sua cena até o final.

Dava para ver, a perna completamente desfigurada, cheia de sangue.

Claro que a cena foi ao ar, sem mostrar a perna.

Pelo fone avisei ao Diretor de Tv, o Tito Bianchini, que o Jaime tinha quebrado a perna.

Foi acionado o Hospital das Clínicas e uma ambulância já estava esperando pelo ator quando sua cena terminou.

E, vamos em frente, que temos muito mais histórias para contar.

Abraços

Boury

 

 

 

 



Escrito por rboury às 13h43
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O PAPEL RASGADO

 

Quando os Tele Teatros *Tv de Vanguarda*, ou o *Teatro Três Leões* eram exibidos, sempre havia a possibilidade dos *improvisos*.

Os textos eram ensaiados durante a semana. Todos se dedicavam ao máximo.

Mas, quando eram exibidos, ao vivo, a *surpresa* sempre estava presente.

Por ocasião de um *Tv de Vanguarda*, se não me engano, o ator presente era o Lima Duarte.

A cena era um personagem, nervoso, lendo um documento que mudaria o andamento da história.

Aquele papel não poderia existir.

Teria que ser destruído.

A melhor maneira, seria queimar o documento.

Era o que constava no *script*.

 Procurou nos bolsos a caixa de fósforos. Não encontrou. Bolsos vazios. O contra regra esqueceu  de colocar.  Alucinadamente procurou pelas gavetas, moveis. Nada.

O documento tinha que ser destruído.

Imediatamente, rasgou. Picou em pedacinhos e jogou na cesta de lixo.

Na seqüência, outro personagem entraria em cena e para que o suspense continuasse, cheirando o ar, diria:

*- Estou sentindo cheiro de papel queimado*.

Mas tinha visto, de fora da cena, que aquilo não aconteceu.

Não se afobou. Abriu a porta, entrou, e cheirando o ar, disse:

*-Estou sentindo o cheiro de papel rasgado*.

Pronto. Estava salva a cena.

E o espetáculo continuou.

Abraços

Boury

 

 



Escrito por rboury às 12h25
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AS DÁLIAS DO FREGOLENTE.

 

Com a televisão transmitindo apenas ao vivo, o vídeo tape surgiria nos anos 60, muitas *surpresas* estavam reservadas para os atores, principalmente nas grandes montagens.

Por diversas vezes *dava um branco*, (esqueciam o texto) em plena representação.

Havia o assistente de estúdio, que com o script nas mãos seguia atentamente todo o desenrolar das cenas.

O Luis Carlos Mielle era um dos melhores na função.

Quando o esquecimento era pequeno, o *ponto* assoprava a fala e o espetáculo continuava.

Por diversas vezes o recado era dado um pouco alto, e o telespectador ficava sabendo antes da fala do personagem.

Mas como era ao vivo, não tinha outra solução.

E o espetáculo continuava.

Alguns atores usavam da famosa *cola* para as suas falas.

Um episódio que ficou marcado, foi com o ator Fregolente.

Era um Tele Teatro de época. Falas muito complicadas. Textos longos.

Foi então que ele resolveu espalhar a *cola* por diversos locais dos cenários.

Lá no fundo, onde ele teria muito texto, escolheu um vazo de dálias.

Cortou folhas de papel em formato das flores. Escreveu todo o texto nas folhas. Pendurou todas. Fez um belo arranjo floral.

À noite, na hora da exibição, ele se posicionou na *marca* (local ensaiado), pronto para iniciar a sua *aula de leitura*. Não teria nenhum problema.

Mas não foi o que aconteceu.

No intervalo entre o ensaio e a exibição, um contra regra simplesmente trocou o vazo das flores. Colocou rosas.

Quando o Fregolente sentiu a falta das suas flores, como que um alucinado andava de um lado para outro gritando para que alguém o socorresse: *- ONDE ESTÃO AS MINHAS DÁLIAS. AS DÁLIAS DESAPARECERAM. ONDE ESTÃO AS DÁLIAS. AS DÁLIAS. AS DÁLIAS, PELO AMOR DE DEUS”.

Foi uma correria nos bastidores. Todo sabiam a *tragédia* que estava para acontecer.

Não tinha outro jeito.

O Diretor de Tv, colocou no ar o famoso *Estamos Apresentando*, e *A Dálias do Fregolente* como ficou no anedotário da Televisão, foi colocada no cenário e o espetáculo continuou sem maiores problemas.

Abraços a todos

Boury



Escrito por rboury às 11h47
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O *Batismo*

 

 

Depois do convite do Cassiano Gabus Mendes, que na época era o Diretor Geral da Tv-Tupy, canal 3, de São Paulo, fui ser operador de câmera. Não sem antes passar alguns meses como cabo-man, hoje seria assistente de câmera.

Com o tempo, fora do ar, fui aprendendo a operar o equipamento. Tudo era uma novidade, mas aos poucos fui me acostumando.

Lógico que a primeira oportunidade de operar a câmera, em um programa no ar apareceu.

Normalmente seria em um Telejornal, onde a câmera ficava fixa, parada, enquadrando o apresentador, sem nenhum movimento. Este deveria ser o *batismo* de um operador de câmera, onde a televisão era ao vivo.

Mas claro que não foi o que aconteceu. Tinha que ser mais complicado. E foi.

O TV de Vanguarda, Tele Teatro que era exibido aos domingos a noite, tinha seu ensaio no mesmo dia a tarde.

Tudo era feito como seria a noite  .Completo: com todas as tomadas de câmera, os closes, os planos gerais, os movimentos, enfim um ensaio geral, mas com ares de estar ao vivo, para evitar os erros.

O Alfredo Cini, era o operador da câmera 1, considerado o melhor, onde todos os principais movimentos e tomadas eram sempre programados para sua câmera.

Acontece que neste dia, a esposa tinha ido para a maternidade, e ele não poderia estar no ensaio, mas com certeza, a noite, na hora da exibição estaria presente. Como era um excepcional câmera-man, faltar a um ensaio, não seria problema, pois tinha total sintonia com o Diretor Cassiano Gabus Mendes, e na hora do ao vivo, não haveria tropeços.

Foi então que fui convocado para, no ensaio, ficar com a câmera ligada, seguindo as cenas, sem maiores conseqüências, pois com certeza, a noite, o Alfredo estaria presente.

Mas não foi bem isso que aconteceu.

O parto da esposa foi complicando e a noite, o Alfredo não compareceu.

Não existia outra alternativa: O Reynaldo Boury, que ensaiou a tarde, iria também  operar a câmera 1 na hora da exibição.

Aquela noticia era tudo que não queria escutar.

A responsabilidade era enorme: Substituir o Alfredo Cini, o melhor câmera-man, em um TV de Vanguarda, o carro chefe dos Tele Teatros.

Ordem dada. Ordem executada.

Não perguntem como me saí. Não lembro de nada. O pavor de errar seria uma tragédia. A minha carreira estaria encerrada ali.

Mas não devo ter sido muito ruim, pois a partir desta data a Tv-Tupy,  contou com mais um operador de câmera.

Até a próxima.

 Boury



Escrito por rboury às 10h39
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O INÍCIO.

 

Tudo começou no ano 1954.

Trabalhava em um atelier fotográfico, muito comum na época.

Além de tirar fotografias para documentos em geral, reportagens em casamentos, eventos, etc.

Foi quando, a convite de um outro fotógrafo profissional, o Irso Cruz, fui para os estúdios da PRF3-TV, ou melhor a TV Tupy, fotografar os tele-teatros, que eram exibidos ao vivo, pois o vídeo tape ainda não existia.

Tv de Vanguarda, aos domingos, e Tele Teatro 3 Leões nas segundas eram os dois carros-chefes da Emissora.

Como eram ao vivo, os atores não tinham como saber suas performances.

Mas com as fotos que eram tiradas durante o espetáculo, (ficávamos por trás das câmeras, fotografando tudo), os atores podiam, no dia seguinte, mediante as fotos 18x24, preto e branco, ter alguma noção de como se comportavam em cena.

Vamos falar um pouco do TV de Vanguarda e do Tele Teatro Três Leões: (Três leões era o nome do patrocinador. Uma loja de Departamentos).

Eram peças de três longos atos, com intervalo e tudo, que também eram longos. Às vezes o slide *Estamos Apresentando* ficava no ar por vários minutos, pois sempre existia troca de cenários, de roupas, de cabelos.

Muitos clássicos da literatura nacional e mundial foram exibidos.

Eram programas de grande aceitação pelos telespectadores.

O Tv de Vanguarda era formado com atores contratados da Tv Tupy, e o Três Leões por companhias de Teatro, exibido nas segundas feiras, pois o descanso semanal dos atores era neste dia.

Cassiano Gabus Mendes no Tv de Vanguarda e o Luis Galon no Três Leões eram os Diretores de Tv.

Cada um tinha a sua própria equipe técnica, o que causava uma certa disputa interna, sem maiores conseqüências.

Mas vamos continuar de como entrei na Televisão.

Em um TV de Vanguarda, o Cassiano, que também gostava de ser ator, tirei algumas boas fotos dele em cena.

Ao ver, ele comentou que eu tinha um bom senso artístico e poderia ser um bom operador de câmera.(na época câmera man)

Claro que aceitei o convite, e no dia 24 de agosto de 1954 (dia do suicídio do Getulio Vargas), entrei para a Tv Tupy, na função de auxiliar de câmera (cabo man).

Durante algum tempo montava e desmontava as câmeras para os operadores, tanto nos estúdios, como nas externas.

Depois... bem *depois é uma outra história que  fica para a próxima vez*.

Abraços

Boury



Escrito por rboury às 14h48
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Gente. Olha eu aquí.

Vou entrar nesta de blog.

Vamos ver como vou me sair desta novidade.

Vou contar muitas histórias sobre os meus 53 anos de Televisão.

Será que dará certo?

Vamos ver.

Abraços do Boury

 



Escrito por rboury às 12h29
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